O cinema nos transporta para um mundo onde jamais imaginamos estar. Quando o cinema encontra a moda é um casamento mágico! Seus personagens, histórias, cenários, estilos de vida e retratos de uma época, ditam tendências, modismos, criam ícones inesquecíveis que viram referências através das gerações. São tantos os filmes que encantam e inspiram o universo da moda, foi difícil escolher apenas alguns. Fica também como uma homenagem especial a todos os figurinistas que nos levam para esse mundo paralelo, com sua interpretação através de roupas e composições de personagens tão marcantes e inesquecíveis. Além de roteiros originais, de ficção, alguns filmes que falam da moda, seus bastidores, criadores e personagens reais, que documentam as diferentes tribos e estilos, também entraram nesta lista. Afinal, a moda é expressão de um tempo e de determinados grupos. Retratá-la em película é um caminho natural para quem consegue enxergar a moda além das passarelas.
A relação de filmes abaixo, foi especialmente selecionada para os amantes das artes, da moda, do cinema e desses personagens que todos queremos ser, ao menos na imaginação! Afinal, quem nunca quis usar um vestido branco esvoaçante e se sentir a Marilyn em “O Pecado Mora ao Lado”, ou uma jaqueta vermelha à la James Dean em “Juventude Transviada”,  que atire o primeiro rolo de filme Super 8!
Separe a pipoca e um domingo qualquer e procure esses títulos para inspirar a sua visão de moda e cinema.

A matéria foi dividida em três partes, entre “Os Clássicos”, “Anos 1970” e os “Anos 1990 e 2000”. (Clique em seguir o blog para não perder nenhum post!)
Essa foi uma matéria que escrevi para a Revista O Cluster.

Luzes, câmera, ação!

Parte 1: Os Clássicos – ícones, divas, galãs, musicais e sonho!

Ah, os clássicos… aqueles filmes que a gente pega na locadora atrás daquela sensação de voltar no tempo, querendo sonhar em preto e branco e Tecnicolor. Aqueles que nossas mães, pais e avós nos fizeram assistir porque também os fizeram sonhar. Estes são indispensáveis.  Os motivos? Suas divas maravilhosas, figurinos deslumbrantes, os galãs mais incríveis do mundo, as músicas e as danças. Prepare-se para uma sessão de suspiros e sorrisinhos. Eles causam isso na gente.

Bonequinha de Luxo – Blake Edwards (1961)

 Bonequinha de Luxo 3Bonequinha de Luxo 4

Bonequinha de Luxo – Blake Edwards (1961)

História:
Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma prostituta de luxo, mas muito mais que isso, ela é uma garota sonhadora. Seus anseios e desejos de uma vida melhor e mais luxuosa ficam claros na cena em que ela é  retratada com copo de café e um croissant nas mãos (muito NY), admirando a vitrine da Tiffany’s, na cena eternizada por ela. Holly conhece um escritor em ascensão e mantém um relacionamento  de amizade colorida com ele. O romance acontece quando em um determinado momento, ele enxerga nela a pureza que ela carrega, apesar de sua profissão e a vontade de enriquecer, subir na vida e atingir status social.

Momento Fashion:
Difícil definir um só momento fashion neste filme. Na verdade, todas as vezes que Audrey aparece em cena, está vestida com o figurino chiquérrimo elaborado por Givenchy, estilista que a própria atriz admirava muito. Trigere e Edith Head assinam o figurino em parceria com ele. Seus tubinhos pretos e coques no alto da cabeça, os colares de pérolas, chapéus e óculos escuros, trazem imediatamente à nossa memória afetiva, uma imagem elegante e muito clara desta personagem. Sua elegância natural e a carinha de boneca de porcelana, um tanto sapeca,  fez com que Audrey Hepburn eternizasse um estilo Holly Golightly de ser. A elegância e a feminilidade de uma mulher que busca vencer na vida, mas sem perder a delicadeza e o gosto pelas roupas e joias é expressada em sua atuação e no figurino impecáveis. Que mulher não se identifica e sonha em ser parecida com essa imagem, em um desejo secreto de se tornar por pelo menos um instante,  uma bonequinha de luxo?

O Pecado Mora Ao Lado – Billy Wilder (1955)

 O Pecado Mora ao Lado2O Pecado Mora ao Lado3

História:
Quando a família de um respeitável “pai de família” viaja de férias, ele começa a se sentir tentado pela vizinha sedutora (Marilyn Monroe). A trama se desenrola em trapalhadas entre os dois, afinal, trata-se de uma comédia. Ele delira que sua vizinha deslumbrante está tendo um caso com ele, enquanto ela, loira e ingênua, desfila sem a menor ideia de suas intenções, ao longo do filme.
Momento Fashion:
Ninguém mais passa sobre uma tubulação de vento na calçada sem se sentir um pouco Marilyn Monroe, na clássica cena do vestido esvoaçante. O vestido branco com frente única e saia plissada, virou ícone de sensualidade e esta cena ficou registrada em nossas memórias e eternizada na pele de Marilyn Monroe, símbolo sexual eterna. Aliás, o figurino branco da personagem é constante neste filme. Contrastando com o cabelo platinado ondulado e curto da diva, parece criar uma aura angelical em torno de Monroe, que é sensual e ao mesmo tempo sedutoramente ingênua. Vale a pena ver a atuação premiada de Marilyn e dar boas risadas com as cenas cômicas entre os dois atores.

 

Acossado – Jean-Luc Goddard (1960)

História:
O personagem de Jean Paul Belmondo  é fugitivo da polícia, após roubar um carro e matar um policial. Ele encontra a personagem de Jean Seberg, que é uma estudante de jornalismo americana, e começa um romance entre os dois. Ele, apaixonado, quer fugir com ela para a Itália.  A relação dos dois é um mistério, pois diferente de filmes românticos, neste noir, não identificamos as reais intenções dos personagens, pois eles não demonstram pensamentos e sentimentos muito claramente – o que ocorre intencionalmente na direção de Goddard.

Momento Fashion:
Não havia um figurinista oficial para o filme. O diretor Jean-Luc Godard incentivou os atores a usar suas próprias roupas e fazer escolhas que achassem apropriadas para cada personagem.
As calças cigarrette e mocassins, o cabelo curtinho no melhor estilo pixie cut de Jean Seberg, suas blusas e vestidos listrados, tornaram-se sua marca registrada. O fora da lei, personagem de Belmondo inspirado no personagem de Humphrey Bogart em Casablanca, também conquistou a atenção pelo charme das boinas, paletós e gravata, chapéu e cigarro quase sempre pendurado no canto da boca.

Janela Indiscreta – Alfred Hitchcock (1954)


História
:
Um fotógrafo (James Stewart) que está “de molho” em casa com a perna quebrada, acredita que viu um assassinato acontecer no prédio na frente do seu apartamento e começa a investigar por conta própria, através da janela.
Momento Fashion:
Embora apenas aparecendo como atriz coadjuvante, todos os cinco trajes de Grace Kelly no filme de Alfred Hitchcock são ícones do clássico estilo “Kelly” de ser: saias volumosas, tops mais ajustados, luvas na altura dos cotovelos, pérolas e AQUELA bolsa da Hermés que levou seu nome. A figurinista Edith Head foi indicada para 35 Oscars e venceu 8 destas indicações pelo figurino de Grace Kelly em Janela Indiscreta . Diva de beleza impecável e ícone da elegância, Grace Kelly se tornou referência do estilo ladylike.

Cinderela em Paris – Stanley Donan (1957)

Cinderela em ParisCinderela em Paris2Cinderela em Paris3Cinderela em Paris4

História:
Audrey Hepburn em mais um papel que justifica que ela seja um dos maiores ícones do cinema e também referência de estilo ao longo de décadas. Fred Astaire interpreta um famoso fotógrafo de modas, Dick Avery, e trabalha para a Quality Magazine, uma conceituada revista feminina. Dick está em busca de um “novo rosto” a pedido da editora da revista, e nesta busca encontra Jo Stockton (Hepburn), uma balconista de uma livraria no Greenwich Village na ocasião em que ele fotografava para um editorial da revista. Um pouco resistente de início, Maggie, a editora da Quality, finalmente aceita Jo como a modelo que irá à Paris para fotografar e ser o símbolo da revista. Jo só concorda em ir, pois lá poderá conhecer Emile Flostre, um intelectual que ela idolatra. Entretanto, ao chegarem em Paris as coisas não correm como o planejado.

Momento Fashion:
O filme todo trata do universo da moda, trazendo à tona a relação entre uma moça iniciante neste mundo e profissionais já renomados no meio, um tanto estereotipados, mas sempre com humor e com muitas músicas e claro, dança. O personagem Dick, o fotógrafo, foi inspirado em um renomado fotógrafo de moda, Richard Avedon e em sua relação com uma renomada editora de moda, uma alusão à Diana Vreeland, que começou na Harper’s Bazaar e foi para a Vogue USA, mas foi afastada por seu temperamento difícil. Avedon foi consultor visual do filme, a pedido do diretor, seu amigo pessoal. Assim, Cinderela em Paris possui um verdadeiro cenário e espírito fiéis ao mundo da moda da década de 1950. Audrey  começa o filme com o figurino de uma livreira intelectual de Greenwich Village, bairro berço dos beatniks (intelectuais) da década de 1950.
Seu figurino todo sem graça, sem “vida”, usando camisa com gola role, sobre um vestido marrom sem graça, cabelos soltos, sem penteado,  remetem a uma figura que pouco se importa com vaidade, muito menos tem qualquer interesse ou relação com o mundo da moda.
Porém, é nesta livraria, que Dick enxerga nela uma promissora carreira como rosto símbolo da revista. Entre algumas promessas e um discurso charmoso, ele a convence de tentar e seguem a Paris. Lá, aos poucos, a garota comum vai dando lugar a uma verdadeira princesa, em vestidos longos e esvoaçantes.  O vermelho entra em cena para contrastar com o preto usado anteriormente e assim, Jo conquista a todos com sua beleza e elegância, ao pisar na passarela.

Juventude Transviada – Nicholas Ray (1955)

História:
O filme foi uma tentativa ousada de retratar a decadência da juventude americana, ao fazer uma crítica à criação dada pelos pais e explorar as diferenças e conflitos entre as gerações.
A resenha a seguir explica com maestria a trama do longa: “No filme, Nicholas Ray fez toda a ação dramática concentrar-se em um período de apenas 24 horas e criou uma abertura engenhosa, com uma longa sequência em que os três personagens principais, que não se conhecem ainda, se cruzam na Delegacia de Menores de Los Angeles. Jim Stark (James Dean) foi detido por embriaguez, Judy (Natalie Wood) por ter brigado com o pai, e Plato (Sal Mineo), por ter atirado em cães. A câmera se detém por alguns minutos em cada, e enfatiza a semelhança entre eles: todos são jovens envoltos em sérios problemas de relacionamento com os pais. O desenrolar da ação fará com que os três se conheçam e vivam uma aventura trágica no dia seguinte, com clímax num cenário espetacular, que evoca a própria situação emocional dos três: uma mansão abandonada.” – daqui.
Momento Fashion:
Pensar em James Dean é criar imediatamente dentro de nossa memória, aquela imagem clássica: jeans, camiseta branca e jaqueta de couro. Aliás, a jaqueta de couro estilo biker ficou famosa, mas uma jaqueta vermelha, de nylon, que ele usou com a clássica white tee e jeans, também virou ícone de estilo e foi muito copiada mundo afora após o lançamento do longa. Moss Mabry foi figurinista da trama e sabe-se que a equipe de figurino sujou propositalmente mais de 400 calças Levi’s 501, usadas entre figuração e personagens. O modelo que Dean usou ao longo da trama era um modelo de calça Lee 101 Rider.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s